ESTRELA CADENTE

22 05 2011

Para a ciência, um pequeno corpo que se move … Para os poetas, uma estrela cadente , que se desloca de uma galáxia, surgindo na escuridão da noite, como um grande foco de luz, deslumbrante, e que percorre uma rápida trajetória, cheia de luz, de magia, de encantamento… Para os poetas, portanto, uma estrela cadente surge na escuridão da noite para iluminar e encantar o ser humano: é uma bênção, um presente de Deus.

Foi assim com Blanche: ela entrou na minha vida para iluminar minha noite escura de tristeza e saudade, e para povoar meu silêncio, cheio de saudade! Estou falando da tristeza e da saudade que me consumia há quase seis meses com a perda de Chouette, minha Poodle Toy que, durante quatorze anos, foi minha companheira vinte e quatro horas por dia, minha verdadeira sombra. Quando ela se foi, minha alma mergulhou no silêncio, na tristeza. Tudo bem que tenho a Anne, minha linda e carinhosa Bichon Frisée. Mas Anne também já está velhinha, e o pânico de perder também a ela era muito grande! Além disso, Anne e Chouette eram muito amigas, estavam sempre juntas, cada uma tinha sua caminha, mas elas dormiam juntas numa mesma, especialmente no inverno, quando se enrolavam uma na outra: era muito lindo! Então, eu tinha também a preocupação de que Anne também estivesse sentindo falta de Chouette. Por isso, para preencher nossos vazios, comecei a pensar em comprar outra cadelinha: falei com dois veterinários conhecidos para saber se eles conheciam algum criador de Poodle, de preferência, Micro Toy: não obtive sucesso. Falei então com minha filha Daniela, que mora em Santa Cruz, e que navega muito na Internet, e ela logo descobriu um canil, que, por acaso, estava com alguns filhotinhos. Foi alegria e entusiasmo imediatos. Eu queria uma cadelinha Poodle, branca e Micro Toy. E havia uma disponível: não pensei duas vezes – “Eu quero!!!!!!!!” . Minha filha me mandou uma foto do minúsculo ser, e eu confirmei meu desejo de ficar com a cadelinha. E a negociação fluiu! Na véspera do Dia das Mães minha filha chegou, trazendo consigo a relíquia tão esperada! Blanche, esse foi o nome que eu havia escolhido para ela, me foi apresentada num verdadeiro trono de cetim rosa, com acessórios (toalha, almofada, etc.) em branco com detalhes em rosa e lilás: tudo estampado com fotos da pequena Blanche – obra-prima do senso artístico e da arte fotográfica de Daniela… No domingo, Dias da Mães, minha primogênita Ana Paula chegou com uma casinha de transporte para a pequena Blanche: toda rosa, com detalhes em lilás, e com acessórios (pratinnhos e brinquedinhos) cor-de-rosa e lilás… Tudo lindo, perfeito, tudo programado para fazer do meu Dia das Mães o mais perfeito possível… E foi!

Quando meus olhos pousaram naquele pequeno ser, de olhar muito preto e radiante, minha vida de imediato se iluminou! E a escuridão de minha noite de tristeza e saudade súbito se iluminou, e uma alegria enorme invadiu meu coração… Acho que Chouette, sabendo da minha saudade, penetrou naquele pequeno ser, talvez se incorporando a ele, para me fazer de novo feliz!!! Porque foi impressionante: a pequena cadelinha logo se afeiçoou a mim; e mais: vinha deitar nos meus pés, como Chouette fazia… E mais ainda: embora tão novinha, ela era muito esperta e inteligente, e já no quarto dia de permanência aqui em casa, começou a se portar como Chouette, ao tentar “conversar” comigo: muito interessante! Eu falava com ela, e ela me olhava bem nos olhos, e dava uma latidinha; eu falava de novo, e ela latia de novo, numa evidente tentativa de comunicação. Se eu a pegava no colo e conversava com ela, colocando-a bem junto ao meu rosto, ela ficava me dando pequenas mordidelas, em evidente sinal de comunicação…

Blanche, tão filhotinha ainda, tão novinha, minúscula (pesava apenas 500 gramas), caminhava pelo apartamento com muita rapidez e disposição… Tornou-se nossa alegria e nossa ocupação, de dia e de noite, pois tínhamos de levantar de madrugada para alimentar aquele pequeno ser em crescimento. Mas eu fazia tudo isso com satisfação, pois minha vida estava de novo iluminada pelo amor àquele pequeno ser.

Porém, eu não sabia que sua trajetória seria meteórica, que ela era apenas uma estrela cadente, que trouxe magia e encantamento à minha noite escura, mas logo desapareceu na escuridão da noite. E o silêncio voltou a imperar, e a tristeza, agora redobrada, se divide entre a saudade da presença calma de Chouette, e a saudade das corridinhas agitadas e os latidinhos alegres de Blanche.

No oitavo dia  de sua doce presença, Blanche teve vômitos e diarréia, não quis mais se alimentar, entrou em prostração… e encerrou sua curta trajetória de luz e alegria…

Nara V. Klafke

Anúncios

Ações

Information

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: